







Claro que depois temos estes sorrisos. Estas gargalhadas sonoras que nos fazem rir por contágio. As conversas cada dia mais elaboradas. Um exemplo. Na semana passada, na escola, o Manuel informou que o Dr. Carlos (especificando que não o avô, outro), o cientista, tinha dito que ele não podia comer cenoura. E já agora também não precisava de comer tomate e alface. E disse assertivamente com um: verdade meio cantado no fim. Ele faz isso quando nos está a tentar dar a volta. Diz-nos um - verdade - assertivo mas meio cantado. Denuncia-o logo.
Lá em casa à hora de adormecer temos um novo jogo. Eles não fazem ideia de que eu sei já que quando sentem os meus passos a aproximar-me do quarto atiram-se para a cama e fingem que estão a dormir. Até o Joaquim. Não entendo bem como é que uma criança que diz umas 3 ou 4 palavras já é tão experiente nesta arte. Adiante. Deito os dois ao mesmo tempo, beijinhos e doces sonhos e mal viro as costas começo a ouvir gargalhadas e provocações. Depois começa o jogo do Joaquim atirar a chucha e só ouço os pezinhos do Manuel a correr de um lado para o outro para a ir buscar e entregar. Deita-se e começa tudo outra vez. Deixo-os andarem nisto uns bons 15 minutos altura em que me faço de surpreendida e digo que acabou a brincadeira. E lá adormece. O Joaquim não sem antes tirar toda a roupa que conseguir. Normalmente por esta ordem: meias, calças, soltar o body interior e, mais recentemente, tirar a camisola. Já o apanhei a tentar tirar também a fralda e acho que mais dia menos dia vai ser bem sucedido. Quando adormecem lá vou ao quarto e visto-o novamente. Todas as noites.
Ultimamente tenho feito o exercício da desconstrução da força. Explico. Resolvi (finalmente dirão lá em casa) que não é mau pedir ajuda. Que não é mau chamar a babysitter para uma tarde no fim de semana quando estou sozinha para ter umas horas para fazer o que bem entender. Um mergulho no mar. Uma ida ao cinema. Às vezes sinto-me cansada e aprendi que é normal e que não há nada mal comigo por causa disso.